Meu sorriso não significa felicidade
Sim, eu não estou feliz.
Cansada de não ser vista!
Acredito que o minimo que o outro pode fazer por você é ver a dor nos seus olhos e respeitar o seu momento. Entender que as coisas nem sempre saem como planejamos…ainda mais quando não depende só de si. Quando uma segunda pessoa entra na sua vida é preciso que esta respeite o seu espaço e que você respeite o dela, porém esse respeito não significa que você não fique frustrado, mas é preciso ver que nem tudo na vida muda para forma que queremos, ainda mais o outro.
O respeito vem do amor, vem de olhar o outro com os olhos da alma…não é um jogo…é acreditar nas palavras, do amor e as vezes da solidão que sai do olhar.
Faz algum tempo que não sou vista com os olhos da alma…
Já diz o Arnaldo Antunes ” Meu coração bate sem saber que meu peito é uma porta que ninguém vai atender”
Fica esse gosto amargo do inacabado…
Sempre sem nome…
Tenho nas mãos só o silêncio, a solidão…e música para meus ouvidos
É isso já me basta!!!!
Outra noite insone. Levanto com meus olhos desajeitados e espio pela janela. O céu tem uma cor errônea, parece nem caber no que vejo. Algumas estrelinhas desmaiam no chão e decido guardar a lua entre meus cílios. Preciso levá-la comigo. Preciso que seja morada junto aos sonhos que escorrem por minhas pálpebras enquanto as mesmas se fecham. Às vezes, teimosas, tentam prender dentro em si uma estrela cadente que, inquieta, dança com seu rabicho e me faz virar luz mesmo sem querer.
Eu, hoje, faço muito tempo. Sou lembrança. Um tom sépia, um cheiro de história contada por alguém numa cadeira de balanço, enquanto um e outro olhar atento tenta decifrar as memórias do que é antiguidade. Talvez meu lado de dentro seja um relicário. Talvez alguém, um dia, diga que meus lábios sempre sopraram beijos. Meu coração só registra carinhos, e nunca dorme.
Há algum tempo caminho por aí sem relógios. Meu amor é conjugado no infinito. Minhas orações já não se subordinam. E nessas noites sem sentido, como a de hoje, eu só sei observar. Viro plateia de mim mesma. Vejo várias de mim, e me perco naquela que não sou. Se tocasse um samba, eu sorriria e cairia na roda, levantando o copo e sendo um sorriso. São coisas internas. Minhas maneiras de fazer folia. Eu ardo, e solto poesia com meus passos tortos. Fico invisível com um fechar de olhos. Em silêncio. Num sussurro.
Meu esconderijo é aqui. São as letras. É o excesso de movimento que me joga para o meu quarto, com essa parede verde que me ensina a enovelar a vida. É o ponto, a formação de palavras, a ausência de sentido no que escrevo. Apenas a necessidade de rabiscar o papel em branco. Preciso escorrer. Gosto do mal explicado. Nunca gostei dos parênteses. Me retiro e me coloco em aspas quando bem entendo.
Quando menor, era o céu desabar e eu rabiscar vários sóis de giz, na calçada. Eu resolvia o problema. O cinza ia embora e trazia arco-íris. Eu também sempre contei estrelas, apontando com o indicador, nunca levei a sério as superstições. E acho muito justo acreditar que meu nome e o dele dentro de um coração desenhado a lápis guarda o amor e cria uma redoma para todas as peculiaridades escondidas que a cumplicidade faz brotar.
Eu decidi apostar no mundo, então. Imperfeito. Mesmo que alguns dias sejam assim, tão carregados com esse gosto de domingo. Agora mesmo queria comer amoras que despencam doces de um canto cheio de sombra. É noite, mas tá fazendo sol. Meu rosto vira um jardim. Flores, flores, flores. A primavera sempre soube caber nas demais estações. Eu gosto de me apaixonar à tarde.
Não sei o que esperar. Espero tudo. Quero tudo. E vou. De mãos dadas com o que sinto, nunca soube me economizar. Vai ver, assim, eu acabe sendo possível.
Minha caneta é sempre azul.
ps: um texto q parece meu
“Nós dois pegamos o elevador, sem falar. Ele parecia muito cansado, mais cansado que triste; pensei: é assim que o sofrimento se estampa nos rostos bem-comportados. Não se mostra: dá apenas a impressão de um imenso cansaço.”
Muriel Barbery
“As pessoas são interessantes à primeira vista. Depois, lenta mas seguramente, todos os seus defeitos e loucura se manifestam.”
“Há muito poucas mulheres bonitas que aceitam mostrar em público que pertencem a alguém. Tinha conhecido mulheres suficientes para perceber isto. Eu aceitava-as por aquilo que eram e o amor chegava rara e dificilmente.
Quando aparecia, era habitualmente por razões erradas. Simplesmente porque as pessoas se cansam de recusar o amor e deixam-se ir porque precisam de ir para algum lugar. Depois, começam os problemas.”
“Era quase desanimador porque parecia que, quando o stress e a loucura eram eliminados do meu quotidiano, pouco ficava a que me agarrar.”
Charles Bukowski
Livro: Mulheres
“É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve,
o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo,
nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada.
E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza.
E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente
do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém
que não aceitamos que ele esteja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora.
Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia.
Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não,
exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego,
da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado.
Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica.
Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.”
Não sei mais escrever, perdi o enrrendo totalmente, perdi o prumo…não sei mais descrever o q se passa aqui dentro…um tanto perdida perdida, um tanto encontrada sem saber traduzir.
O “q” selvagem, chato, impaciente…continua, mas foi acrescentado paz. As minhas verdades mudam comigo, mudei…mutação…inacabado… ingrime…
e seja lá o que for…não tem nome. Não quero a limitação de ter nome, sou água corrente…tenho vivido, na verdade sempre vivi.
Estupidez tentar escrever e sair assim…tudo em desacordo.
“…
Me encontro comigo em algumas esquinas, às vezes me reconheço, normalmente não me percebo, algumas vezes me surpreendo.
Em algumas esquinas te encontro, aí me perco, me desajeito mas dou um jeito
…”
Houve um tempo, crianças, em que a gente não falava de sexo como quem fala de um pedaço de torta. Ninguém dizia Fulano comeu Beltrana, assim, com essa vulgaridade. Nada disso. Fulano tinha dormido com ela. Era este o verbo. O que os dois tinham feito antes de dormir, ou ao acordar, ficava subentendido. A informação era esta, dormiram juntos, ponto. Mesmo que eles não tivessem pregado o olho nem por um instante.
Lembrei desta expressão ao assistir Encontros e Desencontros. No filme, Bill Murray e Scarlett Johansson fazem o papel de dois americanos que hospedam-se no mesmo hotel em Tóquio e têm em comum a insônia e o estranhamento: estão perdidos no fuso horário, na cultura, no idioma, e precisando com urgência encontrar a si mesmos. Cruzam-se no bar. Gostam-se. Ajudam-se. E acabam dormindo juntos. Dormindo mesmo. Zzzzzzzzzzz.
A cena mostra ambos deitados na mesma cama, vestidos, conversando, quando começam a apagar lentamente, vencidos pelo cansaço. Antes de sucumbir ao mundo dos sonhos, ele ainda tem o impulso de tocar nela, que está ao seu lado, em posição fetal. Pousa, então, a mão no pé dela, que está descalço. E assim ficam os dois, de olhos fechados, capturados pelo sono, numa intimidade raramente mostrada no cinema.
Hoje, se você perguntar para qualquer pré-adolescente o que significa se divertir, ele dirá que é beijar muito. Fazer campeonato de quem pega mais. Beijar quatro, sete, treze. Quebram o próprio recorde e voltam pra casa sentindo um vazio estúpido, porque continuam sem a menor idéia do que seja um encontro de verdade, reconhecer-se em outra pessoa, amar alguém instintivamente, sem planejamento. Estão todos perdidos em Tóquio.
Intimidade é coisa rara e prescinde de instruções. As revistas podem até fazer testes do tipo: ?descubra se vocês são íntimos, marque um xis na resposta certa?, mas nem perca seu tempo, a intimidade não se presta a fórmulas, não está relacionada a tempo de convívio, é muito mais uma comunhão instantânea e inexplicável. Intimidade é você se sentir tão à vontade com outra pessoa como se estivesse sozinho. É não precisar contemporizar, atuar, seduzir. É conseguir ir pra cama sem escovar os dentes, é esquecer de fechar as janelas, é compartilhar com alguém um estado de inconsciência.
Dormir juntos é muito mais íntimo que sexo.